sexta-feira, 30 de novembro de 2007

TQT

O menino ria pelo buraco que tinha no pescoço. Chutava bolas de soprar.
- Tomara que ele nunca saiba o que foi-lhe a vida até agora.
E tinha um nome desses estranhos e originais. Fazia barulho de cano entupido quando ria. Comove a gente essas coisas. Penso em tampar o buraco do pescoço e ver se ele pára de rir. Mas não pára.
A vida lhe foi até agora rir pelo pescoço daquilo que ele ainda não sabe. E chutar duas bolas de soprar: uma amarela, uma azul.
- Deve estar de saco cheio dessas bolas, disse a velhota.

sábado, 24 de novembro de 2007

Aurora

Sente-se aqui do meu lado e me diga: qual o seu silêncio preferido?
Não tenho nada a dizer e por isso não digo, ou tenho algo a dizer e mesmo assim calo?
Ou tudo tem que ser mesmo sempre só dizer qualquer coisa que seja?
Quero ser Galo da madrugada.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Na travessia

Uma de frente outra:
- Olhe para a direita, dizia uma.
- Olhe para a esquerda, dizia a outra.

E olhando-se, certas, parece que vão ficar nesse impasse eterno, olhando para o mesmo lado.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Acidente

Porque certa vez fomos todos almoçar no parque, debaixo das árvores. Dizia-me a avó: "quer uma colherzinha para tomar um caldinho de... merda! (?)"

Por hoje não.